Olá, queridos!!
Tudo bem?
Well, passado o desespero da segundona básica, vamos relaxar, esticar o que resta da coluna... E curtir um pouco de excelente música!!
Vou aproveitar esta semana pra falar de um tema sugerido pelo meu querido amigo
Emílio Conde –
Cantoras de Jazz.
Na verdade, não me sinto nem um pouco batutada pra falar neste assunto, mas como todo mundo tem uma opinião... Well, eu também tenho as minhas achezas, né? hehehehehe!!
Tenho ouvido pouco jazz ultimamente, até porque este estilo requer treino de ouvido, paciência e serenidade. Posso até dizer que meu ouvido é treinado, mas estes dois outros atributos andam em falta!! Jazz é coisa que se ouve muito bem recostado, no escurinho ou de olhos fechados, sem falar nada, viajando nas notinhas... E pra gostar deste estilo é preciso ouvir bastante mesmo, até que você começa a perceber as idéias fluindo, a vibração do improviso, o sentimento que está explícito nesta música sem partituras! Pra entender jazz, basta saber que tudo o que se ouve é criado ali na hora - e só este fator já faz com que valha à pena treinar o ouvido!!
Nos últimos meses, duas moças me chamaram a atenção. Uma americana e uma brasileira. Quero falar das duas, mas por motivos diferentes - e porque a história delas revela um lado triste da música brasileira: o jazz aqui é visto mesmo como música de elevador. Não vende disco nem show, ou seja, nem os próprios artistas querem apostar no estilo. Uma pena...
Mas vamos à nossa gringa em primeiro lugar. Dia destes, eu estava ouvindo rádio e começou a tocar uma música naquele estilo big jazz band, com cara de anos 30. Um arranjo poderoso e uma voz idem (afinal, pra cantar com orquestrão tinha que ter gogó, meu bem!!).
Podia ser qualquer cantora daquela época, pois ícones não faltam! Mas a gravação era boa demais. E havia um quê de juventude naquele jeito de cantar.
Claro que corri pra internet e foi assim que descobri
Robin McKelle. Uma linda ruiva que está mesmo é na casa dos vinte anos – e já é considerada uma diva entre os entendidos do assunto.
Filha de cantores religiosos, Robin sente mesmo que nasceu na época errada, pois sua voz tem todos os atributos das rainhas do jazz tradicional. Apesar disso, ainda se acha insegura na hora de interpretar algumas das letras de standards de jazz, pois muitas delas falam em amores e loucuras que não teve tempo pra experimentar nesta tenra idade... Bom, acho que só ela pensa que isso atrapalha, tá? Não atrapalha é naaaada!!!
Entre aí no
Myspace de Robin Mckelle e saboreie a sua lindíssima voz! Um petáculo!!
Este é um dos videozinhos que estão lá mesmo, no myspace dela.
Agora, vamos à nossa brasileirinha. Faz algum tempo que a Vejinha São Paulo publicou bem no início de uma edição, ali onde aparecem as indicações de espetáculos, uma foto de meia página, exibindo um rosto de menina fazendo careta. A menina era
Ana Cañas, recebendo elogios mais que rasgados ao seu primeiro CD, intitulado Amor e Caos.
Todo aquele paparico me deixou um tanto desconfiada. A história da atriz que resolveu de repente virar cantora e de repente já fazia sucesso com seu trio de jazz em hotéis de Sampa, e de repente estava lançando seu primeiro CD, já com 80% de composições próprias... Hmmm... Aquilo me pareceu muito rápido demais da conta. Não é preconceito não, meu povo. Mas sou artista e conheço a trajetória de muitos artistas. Um artista de verdade não se faz assim de uma hora pra outra. Sinto muito.
Quando entrei no site transadérrimo que a gravadora fez para Ana Cañas, pude confirmar minhas suspeitas. Apesar do timbre interessante, as composições eram pobres e esquisitas, nada me agradou ali - começando pelas letras, passando pela dicção dramatizada demais e terminando no excesso de caretas da moça. Ai que desastre.
Naquele dia, lembro ter escrito um e-mail indignado pra minha mãe, recordando quantas cantoras lindas e vozeirudas eu conheço, quantos talentos que estão aí inalando fumaça nas boites e festinhas em que eu também ralei durante anos... Ai que revolta me bateu.
Passado o ódio inicial - hehehe!!! - fui novamente pesquisar Ana Cañas. Eu precisava entender por que diabos esta pessoa estava sendo tão elogiada. E aí acabei encontrando uns vídeos caseirinhos no youtube, que mostravam a moça cantando no bar de um hotel com seu trio. Ostentando um vestidinho de bolinhas e uma postura jovial e graciosa, a danada simplesmente arrasava em improvisos de jazz, soltando a voz como se fizesse isso desde criancinha.
Na mesma hora escrevi um e-mail de retratação para minha mãe. Eu estava me sentindo até mal por ter execrado a pobre menina!! E aí outra questão ficou martelando minha cabeça. Por que diabos uma intérprete tão consistente e interessante precisa lançar um CD tão ruim? Só pra dizer que as músicas são suas? Só porque jazz não vende disco no Brasil? Só pra conseguir um contrato de gravadora?
De fato, ela conseguiu o contrato e muito mais – já esteve no Jô, no Edgar, no Serginho, em todos os programas possíveis e imagináveis, e hoje fará o show de abertura do Prêmio Multishow, para o qual obteve indicação e tudo mais!!
E o que é que eu, diva de Jacarepaguá, posso falar de uma carreira como esta? Será que ela estaria melhor cantando jazz em barzinho? Será que vale à pena abrir mão de um talento primoroso para se entregar ao mercado?
Well, o fato é que eu não sou a única a fazer estas perguntas. O próprio Serginho Groisman chegou a tocar neste assunto, na entrevista que vocês podem assistir aí embaixo. Quando participou do programa Altas Horas, Ana cantou um pedacinho de jazz e depois uma de suas composições, meio que emendado. De repente até ela já percebeu que seu maior impacto é como intérprete.
Mas, fazer o quê, né? A gente mora mesmo é na terra da Banda Calypso e do MC Créu! Vai ficar por aí cantando jazz pra meia dúzia de ouvidos treinados? É ruim, hein!!
Saúde procês!! Boa semana
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