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O amor que eu não posso dar
terça-feira, 12 de agosto de 2008


Olá queridos!!

Depois de uma breve pausa devido a correrias diversas, estou voltando às minhas terças-feiras de música! Mas hoje, até pra marcar este retorno, gostaria de falar de amor e também falar de mim mesma.
Quem quiser se aventurar, ouça a música aí embaixo e depois me conte como o amor funciona pra você!

Bem-vindos à bordo!!

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O amor que eu não posso dar

Acho que posso dizer que sou uma pessoa cercada de amor. Aliás, posso dizer isso sem pieguice ou imodéstia, porque eu busco o amor. Tento sempre ser aquilo que as pessoas esperam – eu preciso agradar, ser querida pelos outros. É uma coisa minha, que pode parecer negativa para uns, mas sempre me trouxe como resultado um monte de sentimentos positivos.

E muitas vezes eu também amo, também me afeiçôo pelas pessoas, pelas situações, pelos bichos, pela vida. Só que algumas vezes este amor tem que permanecer em mim, embora eu queira estampar toda a sua grandeza num outdoor gigantesco.

Sou assim desde pequena. Lembro no colégio, quando eu me apaixonava perdidamente por algum menino que nem sequer sabia meu nome, eu sentia esta incrível necessidade de contar, escrever, mostrar de alguma forma o colorido intenso dos meus sentimentos.

E na maioria das vezes eu sabia que não daria em nada mesmo, no sentido prático. Mas ainda assim, eu escrevia cartas falando do meu amor, sem esperar nada em retorno, sinceramente. Eu achava que as pessoas que eu amava precisavam saber disso! Não aceitava que algo tão bonito estivesse acontecendo ali, bem na frente delas, sem que soubessem. Tipo: Ei! Você está sendo absurdamente amado! Fique feliz!!

O tempo passou, eu cresci, mas ainda hoje me pego apaixonada por pessoas, bichos, momentos, lugares, filmes, livros... E como é difícil algumas vezes demonstrar este amor. Não posso mais sair por aí escrevendo as minhas cartinhas reveladoras – eu assinava todas elas! – afinal de contas, sou uma mulher adulta, casada, civilizada, etc. Simplesmente, os arroubos do mais puro amor não cabem mais na minha vida.

Será que isso também acontece com outras pessoas? Você por acaso vê um filme e passa dias pensando naquele personagem, em como ele parece real, no quanto gostaria que ele existisse e estivesse por perto? Depois de um show você fica devaneando dias sobre como seria conhecer o artista pessoalmente, dar um abraço verdadeiramente apertado e dizer o quanto o admira? Ou até mesmo alguém que você conhece há pouco tempo, que ainda não tem intimidade – algumas pessoas se tornam extremamente importantes em tão pouco tempo. E aí fica aquela vontade enorme de demonstrar a admiração que sentimos, de estar mais próximos e ser amados por elas, virar amigo de infância, assim de uma hora pra outra!

Lembro quando vim embora de Nova York, depois de passar algumas semanas lá estudando inglês. Enquanto o ônibus saía da cidade em direção do aeroporto, eu chorei de maneira incontrolável. Era como se eu estivesse deixando uma pessoa pra trás. Como se deixasse meu lar. Que coisa louca!

E justamente pra não parecer uma louca – rsrsrsrsr!! – encontrei a maneira mais óbvia e natural de expressar este amor que eu não posso dar. Eu vou pro piano e crio uma música, ou duas, ou vinte! Não é tão eficaz quanto as cartinhas da adolescência, mas me faz sentir menos inconformada por não poder estampar em um outdoor gigantesco o amor que transborda em mim.

Saúde!!




Maria Fernanda Torres - amor que não posso dar

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Por Maria Fernanda Torres às 20:53

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