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Na estrada
sexta-feira, 25 de julho de 2008


Queridos amigos e leitores!

Estou escrevendo de longe hoje. Na verdade, nem tão longe assim!

Estou em Congonhas, esperando meu horário de embarque e pagando 12 Reais a hora de internet! Meu Deus! Isso existe mesmo? Doze paus por uma hora??? Surreal!

Mas eu precisava mesmo passar aqui. Nem que fosse só pra dar um oi e avisar que estarei de volta na semana que vem, fielmente, às terças-feiras.

Esta semana a música e a vida tomaram conta do meu cotidiano. Eu juro que gosto de rotina, mas parece que ela é quem não me curte muito!! Simplesmente não me deixa entrar hahahahaha!!

Acho que vou descer até a livraria e comprar um dos 1200 livros de auto-ajuda que eles têm lá. Cara, passei horas lendo os títulos e me matando de rir!! Será que não se escreve mais sobre outras coisas? É só sucesso, dinheiro, poder, conquistas... E ainda temos as novas variantes do gênero "salvação encadernada". A mais famosa no momento é o mistério. livros com nomes enigmáticos, do tipo: Segredo, chave mestra, buraco-negro...

E a vertente saudável? Tem um com uma gema de ovo na capa e o título garrafal: 100 ANOS DE MENTIRA hahahahaha!! Que piada!

E os livros sobre liderança? Hoje eu encontrei aqui o pior deles. Até tirei uma foto da capa, mas até conseguir passar pro computador, lá se vão mais 12 reais... O título é "Lidere como Jesus". Preciso falar mas?

Bom, chega de papo furado!
Vou pra BH ver mais uma querida prima se casando - ver só não basta! Estou levando o melhor presente que eu posso dar! Na verdade, quem ganha o presente sou eu mesma. Já sabem, né? Claro que vou cantar e me emocionar muito mais uma vez!!

Vejo vocês na terça! Se a rotina deixar desta vez!!

Saúde!!

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Por Maria Fernanda Torres às 07:26
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Maninha
quarta-feira, 16 de julho de 2008


O post de hoje, que deveria ter saído ontem – hehehehehe!! – é sobre mais um destes encontros com a música. Mais um momento louco e mágico que ela me proporcionou no último fim de semana.

É por isso que eu digo que sou uma ouvinte passiva. Ontem fiquei horas dentro de um ônibus voltando pra casa – por isso o atraso! – e meu aipóde estava recheado de musiquinhas pra escutar. Mas eu simplesmente não consigo fazer isso. Escolher pastinhas, ouvir canções inteiras - é impressionante como isso me entedia, me irrita até! Prefiro deixar que a música me encontre. Me pegue desprevenida e transforme a minha vida por completo. Não sou eu que a escuta. Ela é quem me toca.

Ontem meus ouvidos estavam repletos de Chico Buarque. Mais especificamente, da música “Maninha”, que ele compôs no ano em que eu nasci. (ok! - foi em 1977! Não faça contas!!).

Domingo passado eu estava na casa da minha mãe, num destes porres-domésticos-pós-vitória-do-Flamengo... É sempre assim. Lá pelas tantas meu pai se recolhe aos costumes, meu irmão coloca as desnecessárias pra gelar, e minha mãe vai buscar os CDs que ela ama escutar quando estamos neste estado, digamos, de espírito!

Eu já até sei de cabeça as músicas que ela vai colocar. Algumas já viraram ícones! Mas esta nunca tinha tocado. Eu já a conhecia, claro, mas não fazia parte do nosso playlist habitual nos fins de noite.

E de repente comecei a prestar atenção na letra delicada do Chico. Cheguei a sentir o cheiro daquela música, a sombra do medo que ela traz, a nostalgia de quem atravessou anos sem poder mostrar o que sentia ou gostava.

Quando percebi, estava chorando que nem criança. Sofri como quem viu seu país entristecido, como quem perdeu parentes e amigos torturados, como quem precisou abandonar sua casa, seu mundo, sua arte, na tentativa de sobreviver.

E mais uma vez experimentei a magia da música, capaz de nos transportar no tempo, de nos provocar emoções impossíveis de descrever.

Não entendo nada sobre música de protesto. Até assisti a uma entrevista do Chico, dizendo que aquilo já era moda entre os compositores da época. Todo mundo fazia música de protesto. Era chavão. Ele passou anos fora do Brasil e resolveu então compor de outro jeito, falando de amor, de infância, de assuntos mais delicados.

Mas não tinha como fugir totalmente da realidade – todo o seu espírito estava impregnado. E aí surgiram pérolas como esta canção, que sem protestar nada, demonstra da forma mais verdadeira o que se passava naquele Brasil da década de 70.

Segue a letra e o vídeo original, com Chico e sua maninha Miúcha, gravado em 1978.




Maninha

Se lembra da fogueira
Se lembra dos balões
Se lembra dos luares dos sertões
A roupa no varal
Feriado nacional
E as estrelas salpicadas nas canções
Se lembra quando toda modinha
Falava de amor
Pois nunca mais cantei, ó maninha
Depois que ele chegou

Se lembra da jaqueira
A fruta no capim
O sonho que você contou pra mim
Os passos no porão
Lembra da assombração
E das almas com perfume de jasmim
Se lembra do jardim, ó maninha
Coberto de flor
Pois hoje só dá erva daninha
No chão que ele pisou

Se lembra do futuro
Que a gente combinou
Eu era tão criança e ainda sou
Querendo acreditar
Que o dia vai raiar
Só porque uma cantiga anunciou
Mas não me deixe assim, tão sozinho
A me torturar
Que um dia ele vai embora, maninha
Pra nunca mais voltar






******************************************



Eiiii!!!

Esta semana estamos cheios de novidades!!
Dê uma passadinha no site da Clave de Lua e confira!

Saúde procês!!

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Por Maria Fernanda Torres às 15:11
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SITE CLAVE DE LUA - LANÇAMENTO OFICIAL
terça-feira, 8 de julho de 2008


Algumas pessoas acham que demorou pra acontecer...

Eu já acho que está acontecendo muito rápido...

Bom, tirando a média, pode ser que este seja mesmo o momento exato!

Depois de muitos anos de experiência como pianista, cantora, radialista, redatora, publicitária, produtora e até compositora... Achei que seria possível juntar tudo isso num balaio só – que acaba de ser batizado oficialmente como Clave de Lua.

Então, meus queridos, esta semana a música fica por minha conta.

Venham conhecer o
site da Clave de Lua – meu novo estúdio de criações e idéias, de onde já começaram a brotar trilhas sonoras, loops exclusivos e muitas músicas inéditas e personalizadas!

Espero contar com a torcida de vocês neste novo sonho, que aos poucos vai tomando forma. E quero poder contar também com os comentários, críticas, correções e elogios sinceros de todos!

Aproveito pra agradecer publicamente à Joana - do site
Data Especial – que, só pra variar, fez e está fazendo um trabalho lindo!! Aliás, obrigada a todas vocês, meninas, por embarcarem neste sonho comigo, acreditando que ele realmente vale à pena!

A Clave de Lua está oficialmente aberta a partir de hoje.

May the inspiration be with us!!

:: Clave de Lua ::
Comunicando com Música



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Por Maria Fernanda Torres às 10:01
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O Melhor do Prêmio Multishow
quarta-feira, 2 de julho de 2008


Não posso resistir...

Ontem consegui assistir pela primeira vez a uma edição completa do Prêmio Multishow.

Se vocês acham que vou listar o que achei de melhor no evento, podem acreditar - seria muito mais fácil fazer uma lista de "piores".

O som no Teatro Municipal estava um miserê, os grandes talentos de hoje em dia deixam muito a desejar - nem entro nesse mérito pra não ofender ninguém - a apresentação do Lázaro Ramos soou irônica em vários momentos, tudo muito sem emoção, sem graça, sem nada.

Mas teve uma coisa que eu simplesmente adorei. A rápida entrevista de Ana Cañas - um dos temas do meu último post, lembra?

Foi ainda na entrada do teatro. Agora me fugiu da memória se a entrevistadora era a Daniele Suzuki ou Didi Wagner, mas o importante é o conteúdo.

A pergunta era daquele tipo que a mídia adora. Mas a resposta não:

Pergunta: E aí, Ana? O que você está achando deste seu momento, agora que a mídia considera você como a nova cara da MPB?

Resposta: Ah, eu acho legal. Melhor do que ser a nova bunda, né?


Hahahahahaha!! Sensacional!
Dessa vez ela me conquistou por completo!!

Saúúúde!!


Por Maria Fernanda Torres às 17:51
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Dois lados do Jazz
terça-feira, 1 de julho de 2008


Olá, queridos!!

Tudo bem?
Well, passado o desespero da segundona básica, vamos relaxar, esticar o que resta da coluna... E curtir um pouco de excelente música!!

Vou aproveitar esta semana pra falar de um tema sugerido pelo meu querido amigo Emílio CondeCantoras de Jazz.

Na verdade, não me sinto nem um pouco batutada pra falar neste assunto, mas como todo mundo tem uma opinião... Well, eu também tenho as minhas achezas, né? hehehehehe!!

Tenho ouvido pouco jazz ultimamente, até porque este estilo requer treino de ouvido, paciência e serenidade. Posso até dizer que meu ouvido é treinado, mas estes dois outros atributos andam em falta!! Jazz é coisa que se ouve muito bem recostado, no escurinho ou de olhos fechados, sem falar nada, viajando nas notinhas... E pra gostar deste estilo é preciso ouvir bastante mesmo, até que você começa a perceber as idéias fluindo, a vibração do improviso, o sentimento que está explícito nesta música sem partituras! Pra entender jazz, basta saber que tudo o que se ouve é criado ali na hora - e só este fator já faz com que valha à pena treinar o ouvido!!

Nos últimos meses, duas moças me chamaram a atenção. Uma americana e uma brasileira. Quero falar das duas, mas por motivos diferentes - e porque a história delas revela um lado triste da música brasileira: o jazz aqui é visto mesmo como música de elevador. Não vende disco nem show, ou seja, nem os próprios artistas querem apostar no estilo. Uma pena...

Mas vamos à nossa gringa em primeiro lugar. Dia destes, eu estava ouvindo rádio e começou a tocar uma música naquele estilo big jazz band, com cara de anos 30. Um arranjo poderoso e uma voz idem (afinal, pra cantar com orquestrão tinha que ter gogó, meu bem!!).

Podia ser qualquer cantora daquela época, pois ícones não faltam! Mas a gravação era boa demais. E havia um quê de juventude naquele jeito de cantar.

Claro que corri pra internet e foi assim que descobri Robin McKelle. Uma linda ruiva que está mesmo é na casa dos vinte anos – e já é considerada uma diva entre os entendidos do assunto.

Filha de cantores religiosos, Robin sente mesmo que nasceu na época errada, pois sua voz tem todos os atributos das rainhas do jazz tradicional. Apesar disso, ainda se acha insegura na hora de interpretar algumas das letras de standards de jazz, pois muitas delas falam em amores e loucuras que não teve tempo pra experimentar nesta tenra idade... Bom, acho que só ela pensa que isso atrapalha, tá? Não atrapalha é naaaada!!!

Entre aí no Myspace de Robin Mckelle e saboreie a sua lindíssima voz! Um petáculo!!

Este é um dos videozinhos que estão lá mesmo, no myspace dela.



Agora, vamos à nossa brasileirinha. Faz algum tempo que a Vejinha São Paulo publicou bem no início de uma edição, ali onde aparecem as indicações de espetáculos, uma foto de meia página, exibindo um rosto de menina fazendo careta. A menina era Ana Cañas, recebendo elogios mais que rasgados ao seu primeiro CD, intitulado Amor e Caos.

Todo aquele paparico me deixou um tanto desconfiada. A história da atriz que resolveu de repente virar cantora e de repente já fazia sucesso com seu trio de jazz em hotéis de Sampa, e de repente estava lançando seu primeiro CD, já com 80% de composições próprias... Hmmm... Aquilo me pareceu muito rápido demais da conta. Não é preconceito não, meu povo. Mas sou artista e conheço a trajetória de muitos artistas. Um artista de verdade não se faz assim de uma hora pra outra. Sinto muito.

Quando entrei no site transadérrimo que a gravadora fez para Ana Cañas, pude confirmar minhas suspeitas. Apesar do timbre interessante, as composições eram pobres e esquisitas, nada me agradou ali - começando pelas letras, passando pela dicção dramatizada demais e terminando no excesso de caretas da moça. Ai que desastre.

Naquele dia, lembro ter escrito um e-mail indignado pra minha mãe, recordando quantas cantoras lindas e vozeirudas eu conheço, quantos talentos que estão aí inalando fumaça nas boites e festinhas em que eu também ralei durante anos... Ai que revolta me bateu.

Passado o ódio inicial - hehehe!!! - fui novamente pesquisar Ana Cañas. Eu precisava entender por que diabos esta pessoa estava sendo tão elogiada. E aí acabei encontrando uns vídeos caseirinhos no youtube, que mostravam a moça cantando no bar de um hotel com seu trio. Ostentando um vestidinho de bolinhas e uma postura jovial e graciosa, a danada simplesmente arrasava em improvisos de jazz, soltando a voz como se fizesse isso desde criancinha.

Na mesma hora escrevi um e-mail de retratação para minha mãe. Eu estava me sentindo até mal por ter execrado a pobre menina!! E aí outra questão ficou martelando minha cabeça. Por que diabos uma intérprete tão consistente e interessante precisa lançar um CD tão ruim? Só pra dizer que as músicas são suas? Só porque jazz não vende disco no Brasil? Só pra conseguir um contrato de gravadora?

De fato, ela conseguiu o contrato e muito mais – já esteve no Jô, no Edgar, no Serginho, em todos os programas possíveis e imagináveis, e hoje fará o show de abertura do Prêmio Multishow, para o qual obteve indicação e tudo mais!!

E o que é que eu, diva de Jacarepaguá, posso falar de uma carreira como esta? Será que ela estaria melhor cantando jazz em barzinho? Será que vale à pena abrir mão de um talento primoroso para se entregar ao mercado?

Well, o fato é que eu não sou a única a fazer estas perguntas. O próprio Serginho Groisman chegou a tocar neste assunto, na entrevista que vocês podem assistir aí embaixo. Quando participou do programa Altas Horas, Ana cantou um pedacinho de jazz e depois uma de suas composições, meio que emendado. De repente até ela já percebeu que seu maior impacto é como intérprete.

Mas, fazer o quê, né? A gente mora mesmo é na terra da Banda Calypso e do MC Créu! Vai ficar por aí cantando jazz pra meia dúzia de ouvidos treinados? É ruim, hein!!




Saúde procês!! Boa semana

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Por Maria Fernanda Torres às 11:51
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