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Desempregando músicos
quarta-feira, 20 de agosto de 2008


Veio mesmo a calhar o assunto deste post: tecnologia na música.
Foi justamente por causa dos quebra-molas tecnológicos que este post está saindo na quarta, em vez de terça.
Fazer o quê, né? A gente depende dessas tralhas!!! Affff!!
Então, vamos ao que viemos!!

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Este é um post para leigos em tecnologia musical. Se bem que eu posso me considerar praticamente entre os leigos, porque ainda estou dando meus primeiros passos no assunto... E eu mesma fico impressionada com as possibilidades que existem hoje para os músicos - e em contrapartida, com as possibilidades que a tecnologia rouba dos próprios músicos. Paradoxo de terça, eu admito, mas prometo explicar melhor!!

Até alguns anos atrás, pouco mais de uma década, produzir música era um trabalho pra dois hércules juntos. Os estúdios eram enormes, com mesas de som gigantescas e milhões de botõezinhos pra regular. O áudio era gravado em uma grande fita de rolo. E quando você errava uma nota, tinha que gravar tudo de novo. Depois, no processo de finalização, os técnicos literalmente recortavam e emendavam a fita pra retirar os erros. Já pensou? E o medo que a gente tinha de errar? A cada nota fora era uma cara feia do pobre coitado, que ía lá, colava um adesivinho no ponto onde teria que cortar depois, e voltava com aquela cara ruim pra tentar de novo! Jesus!

Nem acredito que eu vivi isso! E olha que eu nem tenho muitos anos de estrada - não faça contas, please!! Depois que os rolos de fita foram aposentados, veio a era dos sintetizadores, que são teclados que criam timbres por modulação de áudio. Um teclado conseguia fazer sons de diferentes instrumentos. E aí começou a era do desemprego entre os músicos. Afinal de contas, pra que chamar um violinista maravilhoso se o teclado conseguia fazer o violino direitinho - e com a vantagem de poder corrigir cada notinha pelo computador, sem ter que repetir toda a gravação, recortar a fita, colar... E lá vai o violinista pra rua, junto com flautistas, saxofonistas, bateristas - afinal, as baterias eletrônicas eram muito mais certinhas, tocavam no tempo, aceleravam e retardavam o andamento com um clique!

Só que isto era apenas a empolgação do começo. A qualidade do som nunca seria igual a de um músico de verdade. Sempre soaria falso, fabricado, digital demais! Peraí! Nada substitui o talento de bons músicos, não é mesmo?

Errado! Com o passar dos anos, os sintetizadores foram entrando no computador e aí surgiram os samplers, que também foram entrando no computador. Sampler é um equipamento que transforma qualquer som em algo que pode ser tocado, modulado, transformado. É assim. Você pede pro Stevie Wonder dizer "Yeah!", grava com um equipamento digital, joga no sampler, e aí tem yeah yeah yeah do Stevie Wonder no tom que você quiser, do jeito que você quiser!

Assim sendo, quando se precisa fazer uma música com tambores do Olodum, a gente passa a usar o próprio Olodum - sem pagar, claro! (Que absurdo!!)

Quando se quer uma guitarra Fender modelo XYJ78, tem um sample disponível que faz exatamente o som desta guitarra, com variações do tipo: no palco do Rock in Rio, num Club de jazz, com um microfone perto, guitarrista cansado, dedo machucado, etc, etc...

Nos últimos anos a coisa se sofisticou tanto, que qualquer mané capaz de adquirir um bom computador, alguns programas e equipamentos básicos, pensa que é o Quincy Jones!!

E aí entra novamente aquele paradoxo. Afinal de contas, toda esta evolução tecnológica ajudou ou atrapalhou o talento dos músicos? Claro que o talento, apesar de tudo, continua insubstituível. Mas o fato é que a velocidade exigida nas produções aumentou e os preços cairam, numa espécie de proporção inversa.

Isto significa, na prática, que pra fazer só umas notinhas de guitarra, ou colocar uns metais em uma música, todos os produtores acabam optando por fazer na máquina. Chamar um músico significa mais tempo pra produzir, mas cachê pra pagar, mais trabalho... E aí, mais uma vez, lá vai pra rua um monte de artistas bacanas...

Engraçado eu estar dizendo isso... Tenho um estúdio digital em casa hahahahahaha!! Mas como sou musicista, sinto que já vivi um pouco os dois lados desta moeda esquisita. Adoro tocar guitarra com a mesma pegada de quem estudou durante anos! Mas também adoro ouvir o som de pianão, as notas e acordes de quem realmente sabe tocar...

E por falar em pianão, existem samples dos melhores pianos do mundo pra gente escolher. Posso tocar no Steinway do Carnegie Hall, sentada na cadeira do meu cafofo em Santos!! Aiai... Até que esta modernidade não é de todo ruim, hein?!

Segue um trecho de uma trilha que produzi recentemente. A voz foi removida, pra que vocês escutem os instrumentos. Quero ver quem se arrisca a me dizer quais são os reais e quais são os de mentirinha!!

 Maria Fernanda Torres - Trilha Axé


Beijos procês!! Saúúúúde!!

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Por Maria Fernanda Torres às 22:51
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O amor que eu não posso dar
terça-feira, 12 de agosto de 2008


Olá queridos!!

Depois de uma breve pausa devido a correrias diversas, estou voltando às minhas terças-feiras de música! Mas hoje, até pra marcar este retorno, gostaria de falar de amor e também falar de mim mesma.
Quem quiser se aventurar, ouça a música aí embaixo e depois me conte como o amor funciona pra você!

Bem-vindos à bordo!!

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O amor que eu não posso dar

Acho que posso dizer que sou uma pessoa cercada de amor. Aliás, posso dizer isso sem pieguice ou imodéstia, porque eu busco o amor. Tento sempre ser aquilo que as pessoas esperam – eu preciso agradar, ser querida pelos outros. É uma coisa minha, que pode parecer negativa para uns, mas sempre me trouxe como resultado um monte de sentimentos positivos.

E muitas vezes eu também amo, também me afeiçôo pelas pessoas, pelas situações, pelos bichos, pela vida. Só que algumas vezes este amor tem que permanecer em mim, embora eu queira estampar toda a sua grandeza num outdoor gigantesco.

Sou assim desde pequena. Lembro no colégio, quando eu me apaixonava perdidamente por algum menino que nem sequer sabia meu nome, eu sentia esta incrível necessidade de contar, escrever, mostrar de alguma forma o colorido intenso dos meus sentimentos.

E na maioria das vezes eu sabia que não daria em nada mesmo, no sentido prático. Mas ainda assim, eu escrevia cartas falando do meu amor, sem esperar nada em retorno, sinceramente. Eu achava que as pessoas que eu amava precisavam saber disso! Não aceitava que algo tão bonito estivesse acontecendo ali, bem na frente delas, sem que soubessem. Tipo: Ei! Você está sendo absurdamente amado! Fique feliz!!

O tempo passou, eu cresci, mas ainda hoje me pego apaixonada por pessoas, bichos, momentos, lugares, filmes, livros... E como é difícil algumas vezes demonstrar este amor. Não posso mais sair por aí escrevendo as minhas cartinhas reveladoras – eu assinava todas elas! – afinal de contas, sou uma mulher adulta, casada, civilizada, etc. Simplesmente, os arroubos do mais puro amor não cabem mais na minha vida.

Será que isso também acontece com outras pessoas? Você por acaso vê um filme e passa dias pensando naquele personagem, em como ele parece real, no quanto gostaria que ele existisse e estivesse por perto? Depois de um show você fica devaneando dias sobre como seria conhecer o artista pessoalmente, dar um abraço verdadeiramente apertado e dizer o quanto o admira? Ou até mesmo alguém que você conhece há pouco tempo, que ainda não tem intimidade – algumas pessoas se tornam extremamente importantes em tão pouco tempo. E aí fica aquela vontade enorme de demonstrar a admiração que sentimos, de estar mais próximos e ser amados por elas, virar amigo de infância, assim de uma hora pra outra!

Lembro quando vim embora de Nova York, depois de passar algumas semanas lá estudando inglês. Enquanto o ônibus saía da cidade em direção do aeroporto, eu chorei de maneira incontrolável. Era como se eu estivesse deixando uma pessoa pra trás. Como se deixasse meu lar. Que coisa louca!

E justamente pra não parecer uma louca – rsrsrsrsr!! – encontrei a maneira mais óbvia e natural de expressar este amor que eu não posso dar. Eu vou pro piano e crio uma música, ou duas, ou vinte! Não é tão eficaz quanto as cartinhas da adolescência, mas me faz sentir menos inconformada por não poder estampar em um outdoor gigantesco o amor que transborda em mim.

Saúde!!




Maria Fernanda Torres - amor que não posso dar

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Por Maria Fernanda Torres às 20:53
"Dígue Jegue!" 3 Comentários